História
Um pouco de história
Corria o ano de 1926 quando foi inaugurado o bonito edifício do seleto Clube Setubalense, um espaço onde ainda hoje a sua atividade social é desenvolvida. Nesse mesmo ano, devido à sua importância, Setúbal foi elevada à categoria de capital do Distrito.
A cidade continuava a modernizar-se e a erigir importantes edifícios e, em 1928, mais uma obra de grande vulto era aqui edificada; as modernas e funcionais instalações da delegação local do Banco de Portugal. Um edifício emblemático que veio enriquecer o património construído na principal artéria da cidade, a Avenida Luísa Todi.
Nesse tempo os vários proprietários de imóveis setubalenses sentiam necessidade de se associar, de forma a melhor poderem defender os seus direitos e gerar as necessárias sinergias tendentes a melhor potenciar a sua atividade.
Alguns desses proprietários de imóveis decidiram juntar-se, discutiram os seus pontos de vista e chegaram a acordo no sentido de formar uma associação que melhor defendesse os seus direitos e os representasse cabalmente.
Assim, no ano de 1928, mais concretamente no dia 7 de junho, nas instalações da Liga Comercial dos Lojistas de Setúbal, realizou-se a primeira reunião de direção, onde foi lavrada a primeira ata daquela que então se passou a designar por Associação dos Proprietários de Setúbal, uma associação de classe presidida por Horácio da Fonseca Morais.
Nesta pioneira reunião tomaram parte para além do seu presidente Horácio da Fonseca Morais, os membros da direção: António Diogo da Silva, Jerónimo Alves Ferreira e Francisco Cezar de Faria e, como primeira ação, decidiram remeter um ofício à L.C.L.S.
A missiva destinava-se a agradecer a cedência das salas para reuniões e a solicitar continuidade de utilização enquanto a nova associação não dispusesse de instalações próprias.
Deliberou-se também, nesta primeira reunião, mandar fazer impressos destinado a cobrança de quotas, cartões de identidade e propostas para admissão de sócios, materiais necessários para o bom funcionamento dos serviços administrativos que começavam a dar os primeiros passos.
A nova associação, a exemplo das que já então existiam nas cidades de Lisboa e Porto, tinha por finalidade representar os interesses comuns dos proprietários da região de Setúbal, então a terceira mais importante localidade de Portugal.
A nova estrutura estava aberta a todas as pessoas, maiores de 18 anos, desde que fossem proprietários de edificações urbanas e gozassem de boa reputação.
Para que se pudesse legalizar e desta forma poder ter representatividade junto dos órgãos oficiais a direção da nova associação setubalense, aceitou a proposta do seu sócio nº 1, Carlos Antunes de Mendonça, no sentido de solicitar a colaboração da sua congénere da capital, a Associação Lisbonense de Proprietários.
Assim, foi endereçado um ofício àquela associação, presidida por Artur Carvalho da Silva, no sentido desta poder prestar a necessária colaboração, mercê da sua experiência neste setor de atividade.
Pretendia-se sobretudo que a A.L.P. servisse de elo de ligação e diligenciasse junto dos organismos oficiais para que fossem aprovados os Estatutos da associação sadina.
Os Estatutos, constando de sete capítulos e vinte e quatro artigos, seriam alvo de publicação no Diário do Governo, 2ª série, nº 144 de 25 de junho de 1929, com alvará datado de 22 de junho de 1929, assinado pelo Ministro das Finanças, quando era então Presidente da República, António Óscar de Fragoso Carmona.
1929 Foi uma data determinante para o progresso da cidade dado que foi nesse ano, em abril, que o Estado aprovou uma verba de 100.000 contos destinada às primeiras obras portuárias, onde se inseria o Porto de Setúbal.
Iniciava-se então a construção das muralhas, docas e estacadas bem como a regularização da margem ao longo de quatro quilómetros, que daria a Setúbal a imagem ribeirinha que ainda hoje conhecemos.
Acompanhando o progresso, a nova associação setubalense deixara então de reunir na sede da Liga Comercial dos Lojistas de Setúbal e passara a ter as suas reuniões de direção num edifício localizado na Avenida Luísa Todi, arrendado ao seu associado Francisco Maria Soares.
Em 31 de março de 1949 fruto do desenvolvimento e da dinâmica da associação, seria adquirido um imóvel na Praça do Quebedo, nºs 23, 24 e 25 para nele funcionar as instalações próprias onde seriam desenvolvidas todas as atividades de atendimento ao público e os demais serviços administrativos e técnicos no âmbito dos seus fins estatutários.
Já no século XXI, mais concretamente no ano de 2007, fruto do seu continuado dinamismo e crescimento e, tendo por objetivo dotar os serviços da associação de melhores condições de funcionalidade, a direção liderada pelo Sr. Álvaro Machado decidiu aproveitar a oportunidade de adquirir o imóvel contiguo, por arrematação judicial, expandindo assim o espaço da sua sede social.
O edifício que fora durante largos anos propriedade da conhecida família setubalense Gago da Silva viria a duplicar o espaço tendo então sido ali construído um salão nobre destinado às reuniões e assembleias gerais, os arquivos e serviços e gabinetes dos serviços jurídicos e da direção.
O aspeto com que agora se apresenta este amplo conjunto patrimonial é bem agradável à vista, valorizando o vetusto espaço onde se encontra inserido, encontrando-se o mesmo apto a servir cabalmente os seus dirigentes, os funcionários bem todos aqueles que utilizam os serviços de uma Associação a quem Setúbal muito deve.
Rui Canas Gaspar